quinta-feira, julho 17, 2008

Grandes Voos na Azinha: 123 e 188 km!



por Pedro Lacerda

Fui à Azinha mais o Nélio na segunda, Jul 14.
Dia bombástico, tecto alto, 3 miles e pouco vento. Supostamente de NW mais à tarde.
Planeei ir à torre via Santinha e por ai fora onde se montam as nuvens normalmente. E fui!
Já tinha ouvido falar daquele percurso e da teoria à pratica é mais fácil do que parece, especialmente com o tecto assim tão alto e pouco vento. Cheguei todo contente à torre na base das nuvens. Nunca tinha visto aquele lado da serra, o lado oeste e noroeste da torre, é grande buraqueira, nem nunca tinha ido à torre. Aliás tinha lá passado em puto com os meus pais, foi isso.
Dai para a Covilhã naquela de fazer o triangulo maravilha etc, quando lá chego caguei na decisão do voo habitual e mais isto
e aquilo, vi que do outro lado do vale, naquela crista a meio entre a Covilhã e a Gardunha começava a montar-se linhas de nuvens, decidi saltar da Covilhã onde estava alta para lá pelo azul a fora.
Cheguei baixo e não acertei logo na térmica mas com a ajuda dumas águias minhas conhecidas, que já tinha andado por ali, subi baril de volta. O vento era NE mas fraquinho e as nuvens organizavam-se seguindo a tal crista e depois pela Malcata afora, tipo estrada de nuvens salteadas mas direcção Leste pe
rpendicular ao vento.
Segui essa linha até que o vento começou a fazer propagar nuvens para SW e segui à direita na ramada de nuvens que me pareceu mais consistente. Tinha chegado a Penam
acor quando virei à direita e fui andando em frente a seguir as nuvens por aquelas aldeias que têm nomes cómicos e com os Foios à minha esquerda e por cima de Monsanto etc. O belo voo turístico veja a Beira de cima.
Até que… acabaram as nuvens.
Haviam umas mais distantes mas pareciam inalcançáveis tipo já no Alentejo e o camandro mas como estava alto deixei-me ir indo em direcção ao rio com cuidado que naquela zona os buracos são grandes mas surpresa surpresa o dia estava a montar-se comigo a andar e o caminho que estava a seguir era o exactamente certo. Engonhando mais um bocadinho ou menos a coisa ia-se montando comigo a passar, era a sensação que dava.
Pelo caminho ia sempre falando ao Miguel a dizer por onde andava, o que era muito b
onito até onde conhecia a zona quando passei a não conhecer e a confundir Vila Velha de Rodão com Santiago de Alcântara é que a porca torceu o rabo mas o grande Miguel ficou um bocadinho atrás para perceber onde é que aquilo ia dar e tudo se resolveu.
Nesta altura já andava com furores urinários desde a térmica chata de Santiago de Alcântara, já em final de dia que a coisa se estava a complicar bastante. O voo deu até São Vicente de Alcântara onde cheguei alto numa restituição fantástica e eu à rasca mas mesmo à rasca.
Saquei do camel bag esvaziei-o e ui ca bom…
Quando acabei já tinha vontade de voar mais mas era o por do sol e Albuquerque ainda era longe. Tinha apanhado a ultima térmica às oito… um dia fantástico.
Mas acabei por ficar por ali a tirar fotos e a fazer filmes até aterrar sem vento num campo fantástico já sem sol. A mercury portou-se lindamente num dia em que andei com um bocadinho de acelerador para compensar a falta de vento.
Resultado: 124 km.
Uma hora depois lá apareceu o Miguel mais o Nélio e o outro Miguel jantarada e casa.


No dia seguinte, Jul 15… era tudo parecido, tecto alto

e o camandro mas com uns belos 10 nós de NE em altitude.
Nunca sai tão rápido da serra porque o dia estava mesmo já a
funcionar e não foi preciso as cenas do costume de ficar à espera e o camandro, foi descolar subir e bazar.
Chegando à Covilhã, psicológico ou não é um desatino chegar à Gardunha, tinha o dia montado mas para lá da Gardunha e no planalto da serra, no intervalo népia mas estava a caminho.
Repetiu-se a cena do dia anterior subir bem na Covilhã e ala azul fora à procura de subida que me leve à Gardunha. Ia mais pela direita seguindo o caminho aconselhado pelo Vitor, e descoberto pelo Zé do Folgosinho mas a meio e sempre a descer à minha e
squerda vi um monte de pó a subir e mandei-me para lá, demorei a chegar e quando cheguei aquilo deve ter sido um pequeno peido da mãe naturesa e por ali já não havia nada de jeito.
Mais à frente encontrei um zero onde me agarrei até aparecer cenas melhores. Passado um bocadito lá deu para subir e chegar por cima da Gardunha onde apanhei o canhão do dia.
Junto à nuvem andava-se uns belos 70 à hora por ali a fora agora com nuvens com fartura, optei seguir pela direita da a23 por cima do rio Zêzere penso.
Cheguei rapidinho às portas do Rodão.

Falhei uns ciclos pelo caminho mas como o tecto era tão alto só era chato porque quando apanhava a térmica a seguir tinha de lá ficar búe tempo para recuperar da asneira. Mas quando acertava cagava em enrolar e punha-me a andar e a subir. Só enrolava quando apanhava núcleos fixes.
O frio era brutal no tecto e junto à nuvem. O arnês canoa é porreirito mas mesmo assim sofro com o frio.
Nas portas do Rodão encontrei na térmica um abutre que foi comigo uns 50km a seguir, sempre que enrolava o gajo aparecia até que se sentiu tão em casa que se chegou a uns dois metros de mim, tive de lhe lembrar que a distância é importante e a coisa deu-se.
Devia começar a levar comida para dar aos abutres soube que andam esfomeados no telejornal por causa das leis que proíbem o abandono de animais mortos.
A partir dai foi o rali das aldeias sempre de seguida Nisa, Alpalhão, Crato, todas as aldeias que na altura não sabia o nome e ia tentando explicar ao Miguel.
O Victor e o resto do pessoal vinham uns bons 40km atrás por terem saído mais tarde. Segui sempre uma linha afastada e à frente da serra de são Mamede porque por lá por trás, terras de Espanha, haviam umas nuvens desenvolvidas quase ao disparate. Sempre com nuvem mais dispersa agora… siga para sul com um bom ritmo sempre à espera de encontrar Évora mas quando estava a uns 20km com umas nuvens já muito desenvolvidas à esquerda bato em cheio na brisa.
Mas pareceu tipo que bati na parece, lá orientei a coisa a ver onde é que dava para aterrar sem estragos e perto duma aldeola e saiu a Aldeia de Vale do Pereira na herdade dos Bocareus a andar para trás.

Resultado: 188 km.

Abracitos Lacerda

2 comentários:

macenia björk disse...

oi entrei por acaso no seu blog e adorei as fotos sao otimas,apesar de nunca ter voado essas é uma das minhas paixoes,sou de Fortaleza mas moro na Suecia
boa sorte otimos voous,e continua tirando fotos maravilhosas
Macenia Björk

ClOudyo disse...

great pilot! superb flight!